O que carreira e férias têm em comum?

Nos últimos anos, tenho dedicado boa parte do meu tempo de estudo a entender o planejamento estratégico. Descobri que é possível, por exemplo, adaptar o modelo empresarial à nossa vida pessoal, elaborando um plano para seguir e viver melhor. Nos últimos meses, verifiquei que planejar a carreira guarda inúmeras semelhanças com o planejamento de uma viagem, meu hobby preferido. Para entender essa analogia, montei um roteiro com cinco passos para demonstrar a teoria. Confira abaixo como é possível usar a mesma metodologia para as duas situações:
Passo 1: Qual o meu destino?

O primeiro passo das férias, assim como o primeiro passo do planejamento de carreira, é estabelecer uma meta: onde você quer estar no futuro próximo? Quer ir passar as férias na praia ou no campo? No Brasil ou no exterior? Viajar por lazer, para adquirir cultura, intercâmbio? O mesmo questionamento serve para a sua carreira.

Você deve se perguntar se: quer ser gestor ou analista? Quer mudar de área ou continuar naquela em que você está? Qual seria um bom lugar para ir? Quais são as oportunidades de carreira que existem? Quais são as áreas que possuem as melhores oportunidades no mundo atual?

Passo 2: Como eu vou chegar lá?

Para qualquer viagem, existem várias formas de transporte. Uns são mais rápidos e diretos. No entanto, há outros que podem levar mais tempo, mas o caminho será mais interessante. Quando eu penso na minha carreira e onde quero chegar, tenho que pensar qual caminho tomar para chegar a esse destino.

Você deve se perguntar se: na empresa onde está, há espaço para chegar onde deseja? O caminho será rápido? Ou mesmo sabendo que haverá um longo caminho pela frente, você acha que chegará lá e não está com tanta pressa? Não tem paciência para esperar? Quer tentar outros caminhos? Outras áreas? Outra profissão?

Passo 3: O que levo na bagagem?

Quando você sai em viagem, tem que pensar quais são as coisas que podem te ajudar, o que você deve levar na mala. Se for acampar, por exemplo, é bom ter uma lanterna ou um canivete. Se for para a praia, não pode esquecer o protetor solar. O segredo é equilibrar tudo para que não leve bagagem demais ou faltem coisas essenciais. Na sua carreira, você tem que pensar quais são as habilidades, as atitudes e os conhecimentos que você precisa levar para chegar ao seu objetivo (destino) final.

Você deve se perguntar se: tem todo o conhecimento que precisa para chegar onde quer? O que falta melhorar? Quais habilidades podem ser melhor desenvolvidas e como você pode fazer isso? Preciso de uma atitude diferente?

Passo 4: Ouvir dicas de quem já esteve no local

Quando você está planejando uma viagem a um lugar para o qual nunca foi, você pergunta para seus amigos e familiares que já foram para lá, procura informações em sites de viagens e compra livros sobre o destino, a fim de encontrar dicas e orientações. Na carreira, funciona do mesmo jeito. É sempre muito produtivo conversar com pessoas que chegaram onde você quer chegar, ler sobre a trajetória de carreira dessas pessoas e procurar livros e dicas de especialistas e profissionais que trabalham na área em que você deseja atuar.

Você deve se perguntar: quem pode ajudar você a ter uma trajetória mais assertiva e tranquila? Quem pode ensinar o caminho das pedras? Quem pode te indicar no segmento desejado?

Passo 5: Planejar e traçar o mapa para chegar ao destino

Se você já tem o destino final, a forma como chegará lá, já fez as malas e pegou as dicas com quem esteve lá, é a hora de fazer o seu mapa de carreira. É preciso montar um plano de ação para que você contemple todos os passos necessários e possa atingir seu objetivo.

Você deve se perguntar se: tem todas as outras etapas do processo de planejamento de carreira cumpridas? Sabe aonde exatamente quer chegar ou deixa que a empresa seja a única responsável pela gestão da sua carreira? Preciso assumir o controle da minha carreira? O que falta para que eu atinja o meu objetivo final?

Viajar é bom. Quando é uma viagem planejada, os percalços podem ocorrer, mas seu preparo prévio vai auxiliar a contorná-los. Planejar a carreira é necessário. Não podemos nos arriscar, na atualidade, a deixar o rumo ser definido por variáveis externas. Se uma viagem problemática gera, no máximo, insatisfação e frustração, uma carreira com planejamento errático pode ocasionar um efeito muito pior, desde uma simples desmotivação momentânea por não atingir as metas, até uma demissão derivada da falta de resultados. A jornada da vida guarda similaridades com a jornada profissional. E as semelhanças não são apenas mera coincidência!

 

Jorge Luiz Conde é professor universitário e consultor organizacional.

Deixe uma resposta