O mercado de trabalho, os impactos da tecnologia e as principais tendências de carreiras

Com o uso da tecnologia em larga escala, processos foram melhorados, mas um grande contingente de pessoas ficou pelo caminho. Saiba os riscos e as tendências de carreiras

Olhando para trás, especialmente nos séculos 19 e 20, as novas tecnologias exerceram um grande papel de mudança nos negócios e na forma de emprego de inúmeras pessoas. Boa parte delas trabalhavam na lavoura quando algumas máquinas foram introduzidas, forçando-as a se movimentarem em direção ao setor industrial.

Não tardou e um novo movimento foi observado nas indústrias quando a automatização delas fez com que os trabalhadores fossem deslocados para o setor de serviços. Como forma de explicitar esse movimento, na década de 50, nos Estados Unidos, o setor industrial representava cerca de 40% dos empregos, hoje esse número não supera a marca dos 5%.

No Brasil, especialmente na década de 80, grandes transformações tecnológicas foram experimentadas, e um grande exemplo desse movimento foi o setor bancário. Era o setor de serviços experimentando as grandes transformações propagadas pela tecnologia. Com isso deu-se a implantação de inúmeros caixas eletrônicos, Internet Banking, aplicativos e demais funcionalidades. Mesmo com uma forte expansão que o setor bancário experimentou nesse período, não foi possível conter a redução do quadro de funcionários que, desde então, caiu pela metade.

Diante desse cenário de grande transformação, como avaliar se minha carreira corre riscos? Segue abaixo algumas importantes reflexões:

Mercado de trabalho acirrado

O cenário econômico no Brasil não é dos melhores, não é mesmo? Alguns analistas de mercado dizem que a atual crise que estamos atravessando é uma das mais severas na história do país. É bem provável que isso seja verdadeiro, pois estamos vivendo não só uma forte turbulência econômica, mas também política. As consequências dessa severa crise em que nos encontramos são: taxas de inflação crescentes, que resultam na perda do poder de compra dos consumidores; câmbio em alta, o que encarece os produtos importados, ou ainda aqueles que possuem em sua fabricação/elaboração componentes importados; e uma das mais temidas, que é a crescente taxa de desemprego, beirando os 10% da população economicamente ativa. Nesse indicador, é possível ver inúmeros setores da economia, como as montadoras e autopeças entre outras, dispensando milhares de pessoas. Os programas de demissão voluntária já fazem parte do dia a dia de algumas empresas, dado o baixo nível de atividade econômica (vendas em baixa).

Com a economia em recessão, como garantir emprego para um contingente médio de 800 mil jovens por ano entrando no mercado de trabalho? Vale ressaltar que em 2015 foram fechados cerca de 1,5 milhão de postos de trabalho, um dos piores resultados dos últimos dez anos. Resultado: como existe uma oferta muito grande de profissionais, isso força para baixo os salários, sem contar a grande concorrência percebida.

 

Carreira em risco

Os avanços da tecnologia estão trazendo grandes inovações e seus impactos já podem ser vistos em inúmeros setores. Por exemplo, no setor de serviços, alguns postos de trabalho estão sendo extintos pelo uso cada vez mais frequente dos softwares, ou seja, profissões estão virando programas de computador.

Um estudo desenvolvido pela Universidade de Oxford analisou cerca de 700 ocupações, e metade delas corriam o risco de serem extintas na próxima década devido ao uso da tecnologia. Embora esse estudo não tenha sido desenvolvido no Brasil, devemos nos atentar para essas tendências de funções desenvolvidas dentro de escritórios, como contadores, secretárias, operadores de telemarketing, entre outros.

Tendências

Hoje, a integração do comércio entre os países e as práticas adotadas em cada um deles é muito maior. Face a essa menor barreira, as tendências em economias desenvolvidas devem servir de alerta para os mercados emergentes e demais economias.

Por conta disso, um estudo publicado por um órgão norte-americano de estatísticas de emprego (U.S. Bureau of Labor Statistics) destacou as ocupações que sofrerão maior taxa de crescimento entre 2012 – 2022 (veja abaixo).

 

É bastante compreensível que a área da saúde tenha as maiores taxas de emprego projetadas, e isso se dá por conta de uma população mundial com taxas cada vez maiores quanto à expectativa de vida.

Já as áreas relacionadas à tecnologia, as altas taxas projetadas de crescimento do emprego nesse setor se justifica pelo uso cada vez mais difundido de facilidades que presenciamos em nosso dia a dia, desde televisores mais integrados com a Internet, smartphones, e outros. Um profissional bastante analítico e com capacidade lógica é esperado nesse segmento, pois dado o grande volume de dados, o desafio é transformá-los em informação valiosa para a tomada de decisão.

Autor: André Salermo

Um comentário

  1. Acho a nova revolução industrial, a Indústria 4.0, está e vai provocar muitas mudanças no trabalho, levando os trabalhadores para a área de serviços, softwares, robótica, otimização de processos de projetos, operação e manutenção. Temos que ter cuidado em como em como os presidentes, diretores, gerentes, etc., irão conduzir está transição, já que historicamente estes não estão preocupados com as pessoas e sim em manter os seus cargos e privilégios, só que eles esquecem que com a automação dos processos industriais, eles também passam a ser “dispensáveis” após a implantação concluída.

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