Money que é good, nós não have!

A brincadeira acima misturando o inglês com nossa Língua Portuguesa é antiga, mas ainda hoje demonstra o quanto é importante saber administrar seu dinheiro. Não importa se você está em um Departamento Financeiro de uma grande corporação, no Banco Central ou mesmo cuidando do orçamento doméstico, que é onde tudo começa. Cuidar bem do fluxo de caixa, empresarial ou pessoal, tornou-se hoje matéria de faculdade. Muitas pessoas não sabem administrar seu orçamento e vivem em dificuldades. É o velho e manjado ditado popular: “Quanto mais ganhamos, mais gastamos”. Isto é um paradigma velho e desgastado. Portanto, vamos prestar atenção e aprender a investir de maneira segura e racional.

O dinheiro tem uma linguagem muito clara – um idioma mesmo. Conhecendo sua estrutura, é possível aperfeiçoar a fluência e até ensinar, como acontece com o ensino-aprendizagem de português, inglês, espanhol ou qualquer outro idioma.
A forma como uma pessoa lida com o dinheiro está expressa no corpo: se é preocupada e ansiosa, se é desligada do assunto dinheiro, se é compradora compulsiva e assim por diante.
A estrutura básica da linguagem do dinheiro está apoiada em cinco verbos que sinalizam ação:

  • Fazer dinheiro: colocar-se no mundo do – To make Money;
  • Negociar: vender e comprar;
  • Lucrar: gerar lucros em alta velocidade;
  • Sonhar: aplicar para realizar a felicidade futura;
  • Investir: arriscar sempre sem perder o patrimônio.

O dólar americano é a única moeda que circula livremente sem qualquer dificuldade por praticamente todo o planeta. Essa mesma moeda serve de padrão ou referência monetária, tanto para transações comerciais ou financeiras quanto para medida de riqueza. Por que será que não é a libra esterlina, nem o franco suíço, nem o marco alemão, nem o iene japonês e muito menos o bom e estimado euro da Comunidade Europeia?
Vou demonstrar, através de um hábito bem brasileiro, com um exemplo típico, o quanto dinheiro é questão cultural e está no inconsciente coletivo e pessoal. Em uma recente conferência sobre administração financeira, o palestrante perguntou à plateia se alguém tinha em sua carteira uma nota de um dólar. Três pessoas acenaram afirmativamente, inclusive mostrando a cédula para que todos os presentes a vissem.
O palestrante indagou: “Por que vocês estão com o dólar na carteira?” E a resposta foi: “Para dar sorte!” Ou seja, uma atitude vencedora, de ganhar mais dinheiro, sem ter de fazer nada. Apenas guardá-lo, olhar para ele e torcer para se multiplicar. A magia brasileira, do “esperar a sorte chegar”. Claro, nunca se sabe quando a sorte vai bater à porta.
O palestrante, aproveitando a deixa, contou um fato interessante que ilustra a diferença cultural entre brasileiros e americanos quando o assunto é dinheiro.
O americano típico é educado desde a infância a guardar uma cédula de US$1, 10 ou 50, que é a sua moeda local, em um lugar especial da carteira (ou outro bolso), para nunca se “sentir” sem dinheiro. E aquele um dólar é um sinal de que chegou à reserva. Precisa colocar mais dinheiro na carteira para não ficar sem nenhum dinheiro.
Muito semelhante ao marcador de combustível do veículo quando acende o indicador que chegou à reserva. Esse dinheiro é um indicador ativo – “você precisa fazer mais dinheiro”. E, dessa forma, não passa pelo seu sentimento, nem pela sua cabeça, o “estou duro” ou sem dinheiro. O dólar estimula o americano à atividade, ao “To make Money“.
No Brasil, nós perguntamos: quanto você ganha? Os americanos perguntam: quanto dinheiro você faz? Percebe a diferença?

Eu ganho tantos reais por mês. Eu “faço” tantos dólares por mês.
Certamente, a diferença entre as moedas dólar e real é clara e concreta. Sem dúvida, a mais rica nação do planeta utiliza uma moeda muito mais forte do que a nossa apesar de todos os problemas de conjuntura econômica enfrentados pelos EUA após a crise de 2008. Claro que com este exemplo, não estou pretendendo fazer apologia dos americanos. Apenas demonstrar o quando é importante ter uma visão empresarial para o dinheiro. Apesar de estar escasso, o fluxo da moeda é mais ordenado para quem sabe administrá-lo eficazmente. Vivemos reclamando da falta de dinheiro, mas mesmo quando o temos não sabemos valorizá-lo. Quantas histórias você conhece de pessoas que tiveram a chance de ter muito dinheiro em suas mãos e acabou sem nada? Várias, não é mesmo? E de empresas que viveram momentos áureos e depois acabaram no vermelho ou encerraram suas atividades? Aprenda a valorizar e cuidar bem do seu dinheiro, e do dinheiro de sua empresa. Basta não esquecer a regra básica ensinada pelos nossos pais: “Não gaste mais do que ganha”. É um bom começo para que o money não falte.

Autor: Jorge Luiz Conde, professor universitário e consultor organizacional.

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