A difícil arte de cortar custos

Os anos 90 foram pródigos em investimentos. A chamada Nova Economia foi marcada por dinheiro farto girando no mercado, estratégias mirabolantes, os custos tiveram sua importância minimizada e com isto muita empresa fechou suas portas com a mesma velocidade com que os executivos tentavam novas fórmulas. Atualmente, a situação é bem diferente. Tivemos aqui no Brasil um cenário interessante: taxa de juros altíssimos (mais de 20 por cento ao ano), inflação que tolhe a economia, carga tributária exorbitante, o governo indeciso, dúvidas no mundo empresarial. É um cenário sombrio, por enquanto.

Assim, manter os custos controlados tornou-se palavra de ordem. A sobrevivência está realmente no controle de custos. Mas como contê-los? Como segurar as pontas?

Basicamente, vemos duas vertentes no mercado ao conversarmos com nossos amigos economistas: a primeira vertente é a burra. Os seus adeptos só pensam em mandar gente embora, fechar fábricas, cortar publicidade, não desenvolver novos produtos e por aí vai. São os chamados “racionais”, daqueles que vivem alardeando que o importante é “deixar o coração em casa” e coisas do tipo. Os resultados são bons a curto prazo, mas perecíveis quando colocados num prisma mais longo. Demissões são inevitáveis, mas não podem ser estratégia máxima. No livro “Quem disse que os elefantes não dançam?”, de Louis Gerstner, ele fala sobre os desafios da gigante IBM e sua caminhada rumo ao equilíbrio fiscal/financeiro. Ele recomenda que devemos focar em geração de receita e crescimento. Só cortar não vai adiantar muito.

A vertente inteligente tem uma máxima importante: não deixar o investimento de lado, pois pode comprometer o futuro. Os sistemas de gestão de custos devem se diferenciar de acordo com as estratégias das empresas. É necessário entender o que faz, como faz. Custos devem ser acompanhados diariamente, com indicadores que possibilitem ter uma radiografia da situação e onde atacar. Com esta otimização constante dos custos não temos espaço para o paternalismo ou incompetência na gestão. Os desafios corporativos na parte financeira são difíceis e, às vezes, não tão óbvios. O importante é ter em mente o que os especialistas recomendam: cortar custos é importante, mas o investimento tem que existir, pois senão seu empreendimento vai para o buraco. Nestes tempos de racionamento de recursos, economia bicuda, inflação voltando a assombrar como antigamente e cenário esquisito nos mercados mundiais, saber onde cortar, o que cortar, como cortar e quando cortar é o segredo.

E buscar equilíbrio neste cenário de hoje é um grande desafio. Desafio diário e que pelo andar da carruagem, vai persistir por um longo tempo.

Autor: Jorge Luiz Conde

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